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Percurso

Tempo de Seresta:
Museus no Médio Paraíba

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O Percurso

A presença do café, principal produto agrícola, durante anos, movimentou a economia do lugar e fez surgir as outrora prósperas fazendas

Viajando por pequenas estradas de terra ou pelas grandes rodovias desta região, ainda é perceptível, seja em vestígios nas matas, seja no cheiro que impregna os bares e as paradas para abastecimento, a presença do café, principal produto agrícola que, durante anos, movimentou a economia do lugar e fez surgir as outrora prósperas fazendas. Preservadas por seus proprietários, essas belas e imponentes propriedades nos conduzem a um outro tempo. Além disso, constituem patrimônio de cultura material significativo, com arquitetura singular representativa de um estilo de morar das elites brasileiras do fim do século XIX e início do século XX. Chamam a atenção especialmente os assoalhos em madeira de lei, os amplos salões, as alcovas e as marcas da religiosidade impressas em oratórios ou até mesmo em pequenas capelas. Belas edificações como as da Fazenda Vista Alegre, a Fazenda Pau d’Alho, a Fazenda Florença e a Fazenda da Bocaina compõem, em Valença, um cenário idílico e trazem a nostalgia de um passado.

Uma experiência imperdível é participar das serenatas que são executadas às sextas-feiras e aos sábados, depois das 23 horas, na Rua das Flores, no bairro da Felicidade

Mas, para o viajante em busca dos museus da região, certamente a pequena cidade de Conservatória, distrito de Valença, é parada obrigatória. Nela, a memória é perdurada nas canções de seresta e nos rituais das serenatas. Uma memória que se afirma no sentimento dos mais vividos e que se inaugura naqueles mais moços, como se diz no local.

Seguindo esse clima musical, uma experiência imperdível é participar das serenatas que são executadas às sextas-feiras e aos sábados, depois das 23 horas, na Rua das Flores, no bairro da Felicidade. Seresteiros, poetas, cantadores misturam-se aos visitantes e turistas ao som do cancioneiro da música brasileira de amor.

A cidade preserva expressivo patrimônio imaterial brasileiro

Trata-se de um movimento singular e espontâneo criado e mantido por moradores da cidade que preserva expressivo patrimônio imaterial brasileiro. Dele, um vasto acervo reunido por seresteiros e visitantes gerou um pequeno museu que ali funcionou por anos, o Museu da Seresta e da Serenata. Hoje, esse acervo pode ser visitado na Casa de Cultura de Conservatória. Dois outros museus, também iniciativas de particulares, completam esse clima de encantamento e sonoridade da boa música, homenageando Vicente Celestino e Gilda de Abreu e o Museu Sílvio Caldas, Gilberto Alves, Nelson Gonçalves e Guilherme de Brito.

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Em torno das potencialidades da memória do cancioneiro popular, o movimento da seresta e da serenata vem fomentando uma autêntica “economia criativa”. São bares, restaurantes, grandes compositores: o Museu pousadas, lojas de suvenir e até um pequeno estúdio de fotografia onde o visitante é convidado a se deixar fotografar com roupas antigas, entrando no clima de outras épocas, como a Era do Rádio e o tempo dos primeiros estúdios de cinema no Brasil.

Depois de havermos nos deleitado com os museus que homenageiam compositores, poetas e artistas consagrados da vida cultural brasileira, há ainda outras opções que valem a visita.

O Museu da Roça é uma iniciativa interessante, sobretudo para aqueles que anseiam por uma pausa na agitação da vida urbana. Criado pela Associação da Feira da Roça, que existe há 27 anos, está localizado no centro da cidade de Quatis, o museu foi inaugurado em 2004, ocupando uma antiga casa construída em adobe, em 1899. É uma viagem no tempo entrar em contato com utensílios antigos como as máquinas de costura e os ferros de passar a carvão, presenças outrora obrigatórias nos afazeres domésticos na área rural. Promove nos segundos e quartos domingos do mês a Feira da Roça, aberta a todos os visitantes, com barracas com produtos locais, almoço e música para dançar.

O Museu de Arte Moderna em Resende é um capítulo à parte. Fundado em 1950 pelo escritor Marques Rebelo, ocupa uma casa espaçosa no Centro Histórico de Resende e é mantido pela Prefeitura, que fez a aquisição do primeiro quadro, um óleo de Iberê Camargo. Guarda obras de Tarsila do Amaral, Santa Rosa, Guignard, Lasar Segall, Liesler, Alfredo Ceschiatti, Poty. E também abre os dois salões principais para cursos, palestras, espetáculos de música e teatro, sessões de cinema e lançamentos de livros. As visitas podem ser mediadas. Basta agendar.

O Museu de Arte Moderna em Resende é um capítulo à parte. Guarda obras de Iberê Camargo, Tarsila do Amaral, Santa Rosa, Guignard, Lasar Segall, Liesler, Alfredo Ceschiatti, Poty

Por fim, entre outras opções de museus na região, quem quiser saber um pouco da história da Colônia Finlandesa, não deve deixar de visitar o Museu Finlandês da Dona Eva em Penedo, Itatiaia. É uma oportunidade única de ver de perto contribuições culturais dos finlandeses que vieram para o Brasil, estimulados pelas políticas de imigração do começo do século XX: tapeçarias feitas em teares manuais, trajes típicos usados em festas e ocasiões especiais; objetos de artesanato confeccionados em casca da árvore bétula; bonecas finlandesas e uma coleção de livros, revistas, folhetos e fotografias que estimulam a pesquisa histórica e também a vontade de se aventurar por este país tão distante e tão pouco conhecido dos brasileiros.

Com museus tão diversos, percorrer o Médio Paraíba produz no visitante a descoberta de uma variedade de opções que se traduz numa pluralidade de memórias espalhadas por seus municípios.

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Museus Incluídos
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Museu Vicente Celestino e Gilda de Abreu  - Conservatória - Valença, RJ
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seresta
Museu da Seresta e da Serenata - Conservatória -Valença, RJ
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Museu Silvio Caldas, Gilberto Alves, Nelson Gonçalves e Guilherme Brito - Conservatória - Valença, RJ
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